ECEAT ENTREVISTA – Fábio de Cristo

Fábio de Cristo - ECEAT EntrevistaFábio de Cristo é psicólogo, consultor e especialista em comportamento no trânsito. Ministra palestras e dá aulas em cursos de graduação e pós-graduação em psicologia do trânsito. É professor do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) e do Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB). Está realizando doutorado em psicologia na Universidade de Brasília com estudos o hábito de usar automóvel. Administra o Portal de Psicologia do trânsito www.portalpsitran.com.br, o maior site brasileiro sobre o assunto.
É autor do livro “Psicologia e trânsito: reflexões para pais, educadores e (futuros) condutores”.

 

 Leia a entrevista exclusiva concedida à Editora e Livraria CEAT

 

Por que decidiu escrever sobre o tema?

Transitar pelas cidades está cada vez mais perigoso e desgastante, gerando diversos transtornos para todos que se deslocam nas ruas e calçadas brasileiras, especialmente para crianças e jovens; por isso, trânsito é assunto sério, merecendo atenção de toda a sociedade. Todavia, a abordagem feita para enfrentar esses problemas nem sempre é adequada para incentivar a mudança na mentalidade e no comportamento. Os jornais e telejornais, por exemplo, divulgam todos os dias matérias que exploram o sofrimento e a tragédia, muito mais para ganhar público do que para se fazer pensar criticamente.

Talvez pela falta de uma boa educação no trânsito, várias pessoas desenvolveram a percepção distorcida de que leis e resoluções de trânsito existem exclusivamente para beneficiar financeiramente alguns setores do mercado e punir os cidadãos. Parece, então, que não estamos oferecendo razões ou não estamos motivando suficientemente as pessoas para se comportarem adequadamente no trânsito. Isto é preocupante e requer mudança urgente.

Como decorrência, constata-se a necessidade atual de percebermos os problemas do trânsito por um modo diferente do qual muitos de nós nos habituamos a enxergar; um olhar que nos coloque como parte importante, que nos instigue e ajude a pensar e agir. Precisamos formar um cidadão ético e tornar o trânsito mais harmônico e seguro.

Pensando nessas questões, organizei o livro a fim de informar, esclarecer e despertar o senso crítico dos usuários do trânsito, possibilitando a reflexão e a mudança de comportamento neste espaço de convivência social.

Qual é a principal ideia que o leitor terá ao acabar de ler o livro?

Psicologia e Trânsito - Fábio de Cristo

Psicologia e trânsito – Reflexões para pais, educadores e (futuros) condutores

O livro é um grande convite à reflexão. Por meio dele, espero que o leitor possa questionar seu próprio comportamento no trânsito.Os capítulos focam no conteúdo educativo e reflexivo da mensagem, não se detendo aos aspectos sensacionalistas do trânsito. Busquei uma abordagem psicológica dos problemas, o que considero um modo interessante para tentar estimular o leitor a pensar e a decidir por si mesmo.

São 23 capítulos e cada um deles tenta dialogar com o leitor sobre diversas questões relacionadas à mobilidade urbana, tais como: o trânsito como um espaço de convivência social; o papel dos pais enquanto primeiros instrutores de trânsito; os perigos potenciais de aprender a dirigir fora da autoescola; a importância da manutenção veicular para a proteção do meio ambiente; a utilidade da internet na educação de trânsito; a influência dos aspectos emocionais na forma de conduzir, dentre outros.

O livro é resultado de uma tese ou de um estudo?

Ele é resultado do estudo contínuo que faço sobre o comportamento no trânsito. Busco atualizar-me constantemente nos artigos, livros e congressos internacionais. O livro foi uma das formas que encontrei para disponibilizar e tornar estes conhecimentos úteis à sociedade de uma maneira acessível e democrática. Tentei usar uma linguagem não técnica, interativa e acessível ao público adolescente, aos pais e educadores, uma tarefa nada fácil para quem escreve, isto é, ser acessível a leitores com características distintas simultaneamente.

Não estabeleci um critério rigoroso para as escolhas dos temas, sendo que observações do cotidiano e notícias divulgadas pelos meios de comunicação, por exemplo, serviram como fonte de inspiração. Daí, a literatura científica ajuda a explicar ou instigar o leitor a pensar na situação. Incluí, ao final do livro, a bibliografia consultada para subsidiar os argumentos e pensamentos; em caso de necessidade, elas ajudarão no aprofundamento dos conhecimentos.

Ao escrever o livro, você pensa em atingir algum público específico? Qual?

Sim. Espero que esta obra seja útil para o pai que queira conversar com seu filho sobre como se comportar no trânsito; que seja interessante como leitura complementar para professores e instrutores de trânsito ou mesmo para estimular o debate dos temas aqui abordados durante as aulas. Ao mesmo tempo, espero poder atrair a atenção dos jovens que ainda não dirigem e/ou que estão perto de adquirir a habilitação, contribuindo com a sua formação cidadã.

Além desse público, percebi que o livro está tendo uma boa aceitação por parte dos psicólogos do trânsito (inclusive entre os que ainda estão em formação nos cursos de perito e de especialização). Tenho tido notícias também de professores desses cursos utilizando alguns textos como mote para iniciar uma discussão que será aprofundada na aula.

Os textos já foram usados para diversas finalidades, conforme e-mails que recebo dos leitores: um jornal local utilizou algumas informações dos textos para subsidiar matérias sobre trânsito. Revistas de mercado de seguro, arquitetura e urbanismo, revistas locais e jornais informativos de escolas particulares também solicitaram entrevistas e opiniões sobre conteúdos publicados no livro. Um dos textos, inclusive, virou prova de concurso realizado pelo Departamento Estadual de Trânsito de Sergipe.

Qual é parte do livro que o Senhor mais gosta ou acha importante? Tem alguma parte curiosa que se deve ter mais atenção?

O livro todo me agrada muito, e cada tema escolhido tem sua importância. Acredito que um livro não é uma mera junção de textos ou capítulos; ele é (e precisa ser) mais do que isso para ser bom. Ele tem que ter uma essência; uma boa mensagem que faça as pessoas investirem o seu precioso tempo para buscar desenvolverem o que há de melhor em si. Ao contar brevemente a história deste livro e ao vê-lo publicado, estou convencido de que ele tem todos esses elementos, mas (no estilo provocativo que caracteriza o livro) ofereço-o ao amigo leitor para a sua própria avaliação.

Por admin

2 comentários “ECEAT ENTREVISTA – Fábio de Cristo

  1. flavia natalia santos diz:

    Excelente Leitura, inclusive fiz citação na minha monografia do curso de especialização de Psicologia do Trânsito. Recomendo …

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